Newsletter Nº 44
Janeiro de 2006

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Entrevista com os Arqtos Júlio Quirino & Paulo Viana

“Diríamos… experimentem o vidro!“


          Júlio Quirino

“HOJE EM DIA, COM O VIDRO, O RELACIONAMENTO ENTRE O ESPAÇO INTERIOR E O ESPAÇO EXTERIOR PODE SER O QUE NÓS QUISERMOS“

“ACHAMOS QUE NÃO HÁ NENHUM ARQUITECTO CONTEMPORÂNEO QUE NÃO ESTEJA FASCINADO PELO VIDRO“

“QUALIDADE É O NOSSO FACTOR CRÍTICO DE SUCESSO. ESTÁ PRESENTE EM TODAS AS FASES DO PROJECTO… DESDE O TERRENO ATÉ AO MAIS ÍNFIMO PARAFUSO“

Quem o afirma são os nossos convidados da edição deste mês, a dupla de Arquitectos Júlio Quirino e Paulo Viana, cuja entrevista a seguir apresentamos.

 


          Paulo Viana

Arqtos Júlio Quirino & Paulo Viana – Qualidade Urbana

Licenciados pela ESBAL e sócios da QUALIDADE URBANA, Júlio Quirino e Paulo Viana são uma dupla de Arquitectos com mais de vinte anos de experiência. Esta originalidade em se organizarem em dupla, coisa rara no mundo da arquitectura, granjeou-lhes uma sólida e prestigiada identidade diferenciadora, inequivocamente evidenciada não só pelo próprio percurso temporal do atelier, como também pelo rico e vasto curriculum de projectos efectuados com as suas assinaturas e dos quais se destacam, a título de exemplo:

ARQUIPARQUE – Parque de escritórios em Miraflores
ALFRAGIDE GOLFE PARQUE
PLANO DE PORMENOR DA EXPANSÃO DE PAÇO DE ARCOS
HIPERMERCADO JUMBO – ALFRAGIDE
FORUM AVEIRO
NORTE DE OEIRAS – zonas HC 3 e 4
ARQUIVO DISTRITAL DE FARO
SEDE DA EFACEC
SEDE DA PEUGEOT PORTUGAL

NOTÍCIAS SAINT-GOBAIN GLASS: Normalmente os Arquitectos rivalizam uns com os outros, como é natural. Porquê este modelo de organização em “Dupla“, um formato tão sui generis?

ARQTº JÚLIO QUIRINO: Bem, primeiro por razões de afinidade, no que diz respeito à forma de estar e sentir a arquitectura. Depois, e fundamentalmente por isso, por razões de complementaridade. Por exemplo, eu normalmente sou mais exuberante, enquanto que o Paulo por norma é mais esquemático e contido. Trabalhamos lado a lado mas não fazemos projectos “a meias”.

O que acontece, isso sim, é utilizarmo-nos um ao outro como reflexo crítico. Estamos muito habituados a esta forma de funcionar e por isso já temos uma sintonia. É esta Sintonia que torna possível a complementaridade conceptual sempre necessária à ideia do projecto.

Diria que somos consultores um do outro. Por vezes não é fácil, pois temos de nos abstrair dos nossos modelos pessoais e estéticos por exemplo, para podermos fazer uma crítica consistente, mas dentro do modelo de registo em que o outro está a funcionar. No fundo é como na música, temos de estar ambos no mesmo tom.

SGG: Arquitectura? Porquê esta escolha?

ARQTº PAULO VIANA: Bem pela minha parte, o que posso dizer é que nasci no meio. Meu pai é Arquitecto e foi pela mão dele que despertei para a arquitectura. Tenho também dois tios arquitectos. Naturalmente que a minha queda para o desenho, também contribuiu e em muito. Ainda me meti noutras áreas, como por exemplo na música, mas acabei por ceder ao peso e influência da tradição familiar.

JQ: No meu caso, também houve uma forte influência familiar, mas muito ligada às artes gráficas, o que me marcou bastante. Sempre tive uma dicotomia entre arquitectura e artes gráficas. Nunca resolvi muito bem esta ambivalência vocacional. Por vezes sou um Arquitecto Gráfico e por outras sou um Gráfico Arquitecto.

Repare que um bom projecto é aquele que consegue estabelecer um diálogo com o meio e com ele interage, da mesma maneira que quando vemos um quadro, uma pintura ou ouvimos uma música. Caso contrário, o edifício torna-se anódino. Por isso, a dimensão gráfica e plástica do projecto é preponderante.

SGG: Relativamente ao atelier Qualidade Urbana, como o define em termos de posicionamento conceptual e competitivo?

PV: Numa palavra, eu diria que a “Qualidade“ é aquilo que nos distingue. “Qualidade“ é efectivamente o nosso factor crítico de sucesso. Fazemos questão em que ela esteja presente em todas as fases do projecto. Ou seja, desde a apresentação gráfica do projecto em si mesmo, na própria concepção arquitectónica ou dos espaços urbanísticos, na decoração, na relação com o cliente, enfim, em toda a cadeia de valor de um projecto. Diria que desde o terreno até ao mais ínfimo parafuso, a “Qualidade“ tem de estar sempre presente.

Claro que há outros aspectos preponderantes na organização do nosso gabinete, como seja a própria visão multidisciplinar que este ramo implica e reclama.

Por outras palavras, temos a arquitectura em todas as suas componentes até ao pormenor da obra e temos também a macro arquitectura, o urbanismo e a gestão de sistemas urbanos.

O trabalho em equipa e a relação preço qualidade são também aspectos determinantes na lógica de funcionamento e na maneira de estar da Qualidade Urbana/Arquitectos.

A arquitectura é um trabalho muito abrangente, pois temos de lidar com espaços onde vão viver pessoas que têm sentimentos, sensibilidades…

SGG: Gostaria agora de falar um pouco sobre o vidro. Nesse caso o que se lhe oferece dizer sobre o vidro e a Arquitectura?

PV: Acho que não há nenhum Arquitecto contemporâneo que não esteja fascinado pelo vidro. Com a evolução tecnológica, o vidro possui hoje em dia uma paleta tão diversificada de aplicações que o torna imprescindível na composição arquitectónica.

Com ele, nós podemos construir um abrigo que no limite tenha uma relação 100% visual com o exterior. Os arquitectos actuais têm no vidro um material fantástico para poderem conceber os seus objectos arquitectónicos com total liberdade criativa.

Pode-se jogar com dois tipos de superfícies, a transparente e a opaca, fazendo variar livremente a percentagem de utilização de cada uma. Hoje o relacionamento visual entre o espaço interior e o espaço exterior pode ser o que nós quisermos.

SGG: O que diriam, sobre o vidro, a um grupo de estudantes que aqui viessem visitar a Qualidade Urbana/Arquitectos?

JQ: Diríamos… experimentem o vidro!

Para qualquer informação contacte-nos: mkt.sggp@saint-gobain.com

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