Newsletter Nº 45
Fevereiro de 2006

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Entrevista com o Arqtº Francisco Bordadágua

“A LUZ É PRIMEIRA VISITA DIÁRIA DAS NOSSAS CASAS…
E QUEM A RECEBE, É O VIDRO”

“NA MINHA CONCEPÇÃO DE ARQUITECTURA DE INTERIORES,
O VIDRO ESTÁ SEMPRE PRESENTE”

“PARA A CLIMATIZAÇÃO, PARA A ACÚSTICA E PARA A LUMINOSIDADE, HÁ EXCELENTES SOLUÇÕES EM VIDROS DE INTERIORES”

O Arquitecto Francisco Bordadágua, foi o nosso convidado desta edição SGG – INTERIORES. São suas as ideias chave com que titulamos a apresentação da amável entrevista que nos concedeu e que apresentamos, seguidamente:

    Francisco Bordadágua

 

Arqto Francisco Bordadágua

Com um percurso académico e profissional brilhante, o Arqtº Francisco Bordadágua é hoje um prestigiado Professor do IADE, na área de Tecnologia de Materiais, Ciência e Tecnologia e Higiene e Conforto. Licenciado pelo próprio IADE no Curso Superior de Design na vertente de Interiores e que agora se chama Ambientes, licenciou-se posteriormente em Arquitectura na Universidade Lusíada, seguidamente frequentou o Mestrado no Instituto Superior Técnico, e por ultimo foi tirar uma Pós-graduação de Estruturas Pré-fabricadas em Espanha. Neste percurso académico, Francisco Bordadágua, faz questão de evocar o seu mestre de referência, o saudoso Professor Arqtº Rui Eiró, que foi quem lhe fez despertar e consolidar a vocação para a arquitectura. Aliado a este percurso académico, o Arqtº Francisco Bordadágua, é detentor de uma carreira profissional de sucesso e da qual, se destaca a sua passagem por empresas que vão desde a consultadoria técnica de cerâmicos, recuperação de edifícios, comercialização de pré-fabricados, até ao seu actual atelier de arquitectura e do qual se destacam os seguintes projectos.

Alguns exemplos de projectos:

1996–Projecto de Arquitectura da Remodelação do Showroom da Delegação do Grupo Pavigrês em Lisboa

1997–Projecto de Arquitectura da Reabilitação de moradia unifamiliar em Óbidos

1998–Projecto de Arquitectura de moradia unifamiliar em S. Marcos-Cacém

1999–Projecto de Arquitectura da Reabilitação de moradia plurifamiliar secular
em Pedrouços-Algés

2000–Projecto de Arquitectura de Pavilhão Industrial em Ermidas do Sado-Santiago do Cacém

2001–Projecto de Arquitectura de Condomínio Industrial em Vila Nova de Santo André

2001–Projecto de Arquitectura da Reabilitação de moradia unifamiliar em Constância

2001–Projecto de Arquitectura de Pavilhão Industrial no Parque Industrial
do Tortosendo-Covilhã

2002– Projecto de Arquitectura de Condomínio Industrial no Parque Industrial
do Tortosendo-Covilhã

2002–Projecto de Arquitectura de Pavilhão Industrial no Parque Industrial de Estremoz

2002–Projecto de Arquitectura de Reabilitação de moradia unifamiliar em
Vinha Velha-Cercal do Alentejo

2002–Projecto de Arquitectura de Remodelações de vários espaços interiores do Hotel
Alif em Lisboa

2003–Projecto de Arquitectura de Remodelação total do Hotel Dom Manuel I em Lisboa

NOTÍCIAS SAINT-GOBAIN GLASS: Um arquitecto é por natureza uma pessoa irreverente com a ordem estabelecida. No seu caso como é que revela essa sua irreverência?

Arqtº FRANCISCO BORDADÁGUA: É através do ensino que tento empenhar-me muito para que os alunos sejam credenciados como bons técnicos, que sejam nobres na sua posição de estudantes
e mais tarde na profissão que optarem vir a seguir e em que o conhecimento seja a dominante do seu trabalho e que dela floresça a inovação, o tal romper com a ordem estabelecida.

SGG: Porquê a Arquitectura e em especial a de interiores?

FB: Toda a minha formação académica de base, objectivava uma aprofundada formação técnica que me habilitasse a uma sólida e multifacetada visão sobre a Arquitectura. Isto é, o que começou por ser uma questão de gosto e divisão da forma e função dos espaços interiores, logo evoluiu para um outro patamar de exigências de competências a desenvolver, e aí tentar perceber, por exemplo, como é que se movimenta um edifício em termos da própria estrutura. Ou seja, perceber a arquitectura em termos de inter-relacionamento de interiores e exteriores, dos edifícios.

SGG: O vidro e os interiores. Qual é a sua sensibilidade?

FB: Em todos os meus projectos, o vidro está sempre presente. Sabe, o vidro dá-nos uma transparência não directa. Eu não gosto de ver directamente as pessoas, prefiro vê-las de perfil…a silhueta! Repare que o vidro pode dividir espaços e ao mesmo tempo permite que a luz permaneça! O vidro é uma ferramenta da minha concepção criativa.

SGG: Ainda em termos de interiores e concretamente no que diz respeito ao segmento habitacional, o vidro, aí, é menos prevalecente quando comparado com a sua generalização em interiores, nos segmentos de escritórios e de lazer/entretenimento. O que se lhe oferece dizer sobre isto?

FB: Efectivamente, no segmento habitacional, o vidro ainda tem algum espaço a ganhar, em relação a outros materiais, ditos mais tradicionais. A meu ver, isso prende-se com a mentalidade, com a maneira de ser portuguesa, com um certo pudismo.

Note, dentro de uma habitação, as paredes divisórias, começaram por ser uma defesa em termos de interioridade física, e depois passaram a ser uma defesa mais de privacidade. Mas hoje em dia, estamos a entrar numa nova era. Veja por exemplo o que já acontece em Lisboa e no porto, com o surgimento dos “ Lofts”. São um novo conceito e que está a singrar nas classes médias–altas em termos económicos e culturais.

Ora os “ lofts” enquanto espaços abertos, amplos, têm pequenas divisórias que podem ser em vidro, pois servem mais para demarcar territórios funcionais do que propriamente para serem divisórias, no sentido tradicional do termo. Como vê, neste contexto o pudismo, já tende a desaparecer.

Mas, convém referir que no que respeita à outra nova habitação, a dita mais tradicional, o vidro tem vindo a conquistar uma presença cada vez maior, como sejam por exemplo, escadas, portas, chãos, janelas, divisórias e muito mais. Repare, por exemplo, nisto que lhe digo, quando vou ao Porto, costumo ficar num hotel na Maia, em que as paredes da casa de banho, são em vidro, o que permite uma outra ambiência dos quartos de hotel!

SGG: Sr. Arqtº e no que respeita ao contributo do vidro, no conforto da habitabilidade de interiores, em termos de acústica, luminosidade e climatização?

FB: Sem dúvida que hoje existem excelentes soluções em vidro, individual ou conjugadamente para cada um dos parâmetros que acaba de referir. Todas elas induzem numa ambiência muito própria e ajustável às necessidades específicas de cada projecto. Além disso, o vidro é um material relativamente barato, fácil de colocar e de se combinar com outros materiais.

SGG: Nos seus projectos, como se define na modelação de interiores?

FB: Primeiro tento caracterizar muito bem a necessidade de quem vai habitar ou utilizar o espaço que estiver em causa. Por exemplo, o mesmo espaço será modelado de maneira diferente quer se trate de um pintor, ou de um médico, ou de um escritor…a própria profissão se reencarna na maneira como orientamos o interior da casa. Portanto na modelação de interiores os espaços são preenchidos em função da personalidade e características da pessoa ou pessoas que o vão utilizar. Tentamos absorver as sensações que essas pessoas necessitam de ter para o conforto da sua vida. Depois tento modelar o espaço, ou seja, formar a função desse espaço. Por mim, e apenas em termos de preferências pessoais, prefiro os espaços abertos, minimalistas, com muita luz, transparentes, abertos ao exterior.

SGG: E…como estamos de vaidade, em termos de decoração de interiores?

FB: Antigamente, as casas faziam-se para se mostrarem, para se ostentar. Hoje as coisas estão a mudar. Hoje já se vêm casas discretas, menos exuberantes. Mas claro está que ainda há pessoas que pretendem exibir e dizer, eu também tenho! Não tiram prazer disso, pois não estão viradas para dentro de casa, mas sim para o exterior.

Olhe, ainda há pouco tempo fiz uma casa em que tentei orientá-la para o interior da propriedade, para tirar um maior partido da piscina, do jardim, etc. mas o cliente preferiu que a orientação da casa, ou melhor da sala fosse para o exterior, para a rua. Obedeci às necessidades que me foram colocadas!

SGG: Presentemente, qual é o projecto ou a obra que o absorve mais?

FB: Um edifício na Covilhã que vai levar uma fachada com “100” placas de vidro de 3,5m por 1,2m.

 

Para qualquer informação contacte-nos: mkt.sggp@saint-gobain.com

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