Newsletter Nº 40
Setembro de 2005

Consulte as Newsletters anteriores: 

Professor Engenheiro Luís Bragança

“São os envidraçados que marcam a diferença de qualidade dos edifícios“.

“NA CONSTRUÇÃO CIVIL, E APESAR DE EXISTIR EXCELENTE LEGISLAÇÃO, AS ENTIDADES LICENCIADORAS NÃO FISCALIZAM AS OBRAS, O QUE CONCORRE FORTEMENTE PARA A AUSÊNCIA DE BOAS PRÁTICAS DE QUALIDADE NO SECTOR”.

“O LABORATÓRIO DE FÍSICA E TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO, ALÉM DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA, TEM COMO OBJECTIVO A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE – INSTITUIÇÕES, EMPRESAS E PARTICULARES”.

Estas são algumas das ideias-chave da entrevista que o Prof. Engº Luís Bragança concedeu a Notícias Saint-Gobain Glass e cujo desenvolvimento transcrevemos de seguida:

Professor Engº Luís Bragança

Universidade de Engenharia do Porto, 1982. O então jovem Luís Bragança orgulha-se e regozija-se pela realização do seu sonho – licenciar-se em Engenharia Civil – sonho esse que começou a acalentar ainda menino e por influência de um seu tio, também ele Engº, e que Luís Bragança muito admirava – “marcou-me a maneira como meu tio falava da sua profissão, as histórias, os relatos sobre os desenvolvimentos dos projectos…”

Depois deste despertar para a Engenharia, aliado a um forte sentido de curiosidade e gosto pelos estudos, Luís Bragança foi, ao longo do seu percurso escolar, moldando e consolidando a sua vocação – “ganhei consciência e convicção de que o progresso do País passaria também pela Engenharia”.

Terminada a licenciatura, Luís Bragança ingressa no Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho, onde ainda se mantém.

Hoje, o reputado Professor Universitário e Investigador Luís Bragança lecciona na Universidade do Minho as disciplinas de Construções a alunos dos cursos de Engenharia Civil e de Arquitectura. No âmbito da Investigação, o Prof. Luís Bragança orgulha-se de ter sido o dinamizador da concepção, implementação e desenvolvimento do prestigiado Laboratório de Física e Tecnologia da Construção, sediado na mesma Universidade.

NOTÍCIAS SAINT-GOBAIN GLASS: Sr. Professor, diz, quem sabe, que o talento não está na resposta mas sim na pergunta. Não tenho dúvidas de que o sentido da curiosidade é uma característica estruturante da sua actividade de Docente Universitário e Investigador. O que lhe pergunto, isso sim, é se a formulação dos seus “Porquês“ e subsequentemente os “Porquês dos porquês“, bem como a busca das possíveis respostas, são ou não, na sua essência, um acto solitário?

PROF. LUÍS BRAGANÇA: Ora bem… é e não é! Cada vez mais a investigação é menos solitária. Diria até que o investigador solitário tende, cada vez mais, a ficar isolado e impossibilitado de conseguir concluir a totalidade da investigação a que se propôs. É verdade, como disse, que colocar as questões é muito importante. Mas não menos importante, na nossa perspectiva, é encontrar respostas. Ora, hoje em dia, isso só é cada vez mais possível com equipas multidisciplinares, pois só elas permitem o captar de diferentes sensibilidades convergentes e, ao mesmo tempo, um melhor aprofundamento dos trabalhos que estiverem em causa.

SGG: O seu nome é indelével na implementação e desenvolvimento do Laboratório de Física e Tecnologia das Construções, e que naturalmente está enquadrado aqui no Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho. Será que nos pode dar uma ideia de como é que este projecto surgiu e qual o seu posicionamento?

LB: Este laboratório foi criado em 1992, na sequência da compra de diversos equipamentos ao abrigo do programa Ciência, com a finalidade de dar resposta às contínuas e crescentes questões que se colocam ao nível da Física e Tecnologia das Construções. Questões essas que, como calculará, são cada vez mais prementes. Somos um laboratório aberto ao exterior. Quer isto dizer que a nossa investigação é muito dirigida para o exterior. Isto é, nós para além da investigação orientada para a aprendizagem de novas técnicas, novas ferramentas, novas soluções, novas análises de problemas, temos também como objectivo fazer prestação de serviços especializados à comunidade. Em concreto, refiro-me, por exemplo, a empresas, particulares ou instituições.

Concretizando um pouco mais, e para melhor ilustrar a nossa actividade, diria que face à evolução tecnológica do laboratório, que dispõe de equipamentos sofisticados, podemos, por exemplo, fazer medições de ruído, medições na área do comportamento térmico, medições na área da humidade nas construções, entre outras possibilidades de investigação, dentro da temática para qual o laboratório está vocacionado, como é também o caso das patologias da construção, conservação, reabilitação, etc…

Ora, isto permite-nos que possamos resolver problemas concretos das pessoas, da comunidade, se quiser, com uma resposta efectiva. Efectividade essa ao nível da viabilidade técnica, económica e realização prática. Note que a natureza dos problemas que nos são colocados são, regra geral, problemas complicados e que é por essa razão que existimos e somos procurados, pois as respostas a esses mesmos problemas não estão disponíveis no mercado.

SGG: Sr. Prof., estamos aqui neste prestigiado Laboratório de Física e Tecnologia das Construções, onde a problemática, por exemplo, do ruído, da térmica e da luminosidade são objecto de aturados estudos. Contudo, se eu for ao mercado comprar um andar, é quase certo que irei encontrar uma oferta muito deficitária em que as excepções são para confirmar essa regra. Porquê então esta discrepância entre a fonte e a foz?

LB: Temo que não possa cabalmente poder responder a essa pergunta. O que posso, isso sim, é
dar-lhe a minha visão parcial, tendo em conta o enquadramento da minha realidade. Neste sentido, acho que a resposta assenta, essencialmente, em dois ou três aspectos. Deles realço, logo à partida, as limitações orçamentais com que as pessoas se debatem. Ora esta questão, per si, condiciona em muito o acesso a bens de melhor qualidade. Por outro lado, sobressai o facto de o mercado da construção estar muito rotinado a um determinado nível de qualidade e portanto também não sabem fazer muito melhor. São hábitos antigos, o que implica que a evolução seja lenta. Por último, relevo um aspecto que pode parecer pouco importante, mas que é crucial. Refiro-me à falta de fiscalização, por parte das entidades licenciadoras das obras. Este aspecto é preocupante, tanto mais que temos boa legislação. Legislação que obriga a boas práticas de qualidade. O que é facto é que a fiscalização é muito incipiente.

SGG: Sr. Prof., relativamente ao vidro, e tendo em conta a sua crescente preponderância nas edificações modernas, qual é a sua apreciação mais espontânea?

LB: Bem, o vidro é incontornável, na medida em que ele permite a iluminação natural dos espaços.
Eu admito, face à evolução tecnológica, que daqui a uns anos possam existir edifícios completamente executados em vidro. Porém, neste momento, há que ter algum cuidado nas soluções a adoptar, pois todos sabemos que as grandes áreas envidraçadas podem provocar grandes sobrecargas de aquecimento no Verão e até no Inverno, em alguns casos, mesmo tratando-se de vidros muito bons, com alto poder reflectante e com factor solar baixo. Contudo, devo salientar que são os envidraçados que marcam a diferença da qualidade dos edifícios.

Para qualquer informação contacte-nos: mkt.sggp@saint-gobain.com

Topo de Página