Newsletter Nº 24
Março de 2004

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Entrevista com o Arqtº José Gramaxo

“É inquestionável que na Construção Civil o vidro é o componente que tem tido o maior desenvolvimento tecnológico”

“O vidro é o material mais versátil, em termos estéticos, bem como e por outro lado é igualmente o que melhor interage com o utilizador final, não só enquanto filtro com o exterior, mas também pela sua flexibilidade quanto ao condicionamento do conforto da habitabilidade.”

“O Arquitecto é um humanista puro, porquanto é o intérprete e veículo transmissor aos executantes da materialização das edificações, dos anseios, desejos, cultura, modo de vida, ideais, exigências e necessidades dos utilizadores dessas mesmas edificações.”

“A arquitectura é o espelho da cultura de um povo, num dado espaço e num dado momento do seu percurso histórico, e reflecte bem a essência de qualquer um dos eixos estruturantes dessa mesma cultura, quer eles respeitem ao económico, ao político, ao religioso, aos costumes, entre outros.”

“Um Arquitecto é um escultor de um espaço vazio, sem nenhum material físico para esculpir. Porém tem de lhe dar uma forma material, configurada num habitat. Habitat esse que é a diferença entre um arquitecto e um escultor. Diga-me, na sua opinião o Guggennheim de Frank Gehry em Bilbau, é uma escultura ou uma arquitectura?”

Num diálogo vivo e abrangente, no qual sobressai o singular pragmatismo do Arqtº José Gramaxo, damos seguidamente conta, para além dos extractos atrás evocados, do teor da entrevista que este profissional de referência no sector e não menos apaixonado praticante de Golfe, gentilmente concedeu à Notícias SGG.

ARQTº JOSÉ GRAMAXO

Licenciado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, no ano de 1977, José Gramaxo é um profissional que transborda uma insaciável e permanente paixão pela sua actividade, à qual imprimiu uma tónica operacional que a denomina de pragmática ou funcionalista e que emerge como uma espontânea característica da sua personalidade e forma de estar na vida e na profissão.

Embora bisneto de um arquitecto de renome, Isidoro de Campos, cuja obra mais conhecida é a do túnel da Estação de S. Bento, no Porto, o que para a época foi um feito notável e que ainda hoje se destaca, José Gramaxo descobriu a sua vocação para a arquitectura pela mão de Danilo Sobral, seu mestre de Geometria Descritiva e por quem nutre um elevado respeito e admiração. Da sua obra multifacetada e que bem reflecte o percurso profissional de José Gramaxo, sobressai a sua notável especialidade em construções hospitalares, a par de diversos projectos de urbanismo e construções para os mais variados fins. Hoje é Sócio Gerente da Arquicon Construtora, Lda, da Turigrama - empreendimentos imobiliários e turísticos, Lda - o que acumula com a de Presidente do Conselho de Administração do Hospital Cirúrgico de Setúbal, S. A.

Mas o Golfe, o golfe isso é outra paixão forte deste profissional de grande reputação e que o levou a pertencer desde a 1ª hora ao Clube de Golfe dos Arquitectos.

Notícias Saint-Gobain Glass: em termos de formas e conceitos, qual é o referencial perceptivo da sua obra edificada?

Arquitecto José Gramaxo: Olhe... por razões diversas, o fluir do meu percurso profissional foi sempre mais no sentido de me dedicar à obra concluída, ou seja, à arquitectura edificada. Isto pressupõe, se assim quer, uma característica dominante na minha praxis profissional e que é o pragmatismo, o qual se reflecte logo na fase de concepção dos meus projectos. Diria que me revejo mais como um profissional de terreno, de acção, funcionalista, de ir até ao fim em tudo aquilo que me proponho fazer.

No plano da concepção propriamente dita, acresce uma outra característica dominante e que é o propósito firme de conseguir materializar a vontade expressa dos futuros utentes das minhas obras.

SGG.: Será que nos pode concretizar um pouco essa sua tão apaixonada forma de estar?

Arqtº J. G.: Sabe, eu sustento com muita convicção que um Arquitecto se deve posicionar não só como um intérprete e descodificador, mas também como um veículo de transmissão aos executantes da obra, no sentido de que sejam devidamente bem traduzidos e consequentemente materializados, todos os anseios, desejos muitas vezes difíceis de expressar pelos próprios, modelo de cultura, modus vivendi, ideais, exigências e necessidades, daqueles que vão ser os verdadeiros utilizadores destinatários, do habitat que estiver em causa, na altura de ser construído.

Isto acontece, independentemente do tipo de obra que estiver a ser edificada, seja ela uma Habitação, escritório, comércio ou qualquer outro tipo de arquitectura com finalidades das mais diversas.

SGG.: Então, a função de Arquitecto implica e reclama uma forte vertente humanista?

Arqtº J. G.: Sem dúvida. Um Arquitecto é um homem que consegue interpretar sensibilidades, muitas vezes recônditas, e simultaneamente é capaz de transmitir, a quem vai construir, o modelo configurativo do espaço, tempo e modo, daquele que vai ser o verdadeiro utente final.

Portanto, um Arquitecto é um homem multidisciplinar, pois tem de saber fazer a simbiose tecnocrática que implica quer domínio de materiais, quer técnicas e modos de construção e de outras áreas do saber, como seja a Psicologia, a Sociologia, a Antropologia e por aí fora.

É efectivamente uma actividade muito complexa, mas também muito apaixonante, por força de toda esta diversidade disciplinar que se sintetiza num habitat, o qual se classifica como arquitectura e que está em permanente evolução, quer ela seja tecnológica, social ou de outra natureza, em que o bem-estar do homem esteja em causa.

SGG.: Quer então dizer que um Arquitecto é um interventor social e que portanto interfere no modus vivendi das pessoas. É assim?

Arqtº J. G.: Sim, sim. Isso é inequívoco. Aliás o Arquitecto é determinante naquilo que é a qualidade de vida das pessoas, pois é ele em primeira e última instância que permite, através da concepção do habitat, que elas tenham ou não tenham qualidade de vida.

SGG.: Em sua opinião qual é o aspecto que mais pesa na Arquitectura?

Arqtº J.G.: Quanto a mim, é sem sombra de dúvida, a “Cultura”. Diria até que a Arquitectura é ela própria o espelho da “Cultura” nas suas mais diversas facetas, sejam elas Políticas, Religiosas, Sociais, Económicas...

SGG.: Será curial afirmar-se que um Arquitecto é o Escultor de um “Espaço Vazio”?

Arqtº J.G.: É. É correcto dizê-lo. Não temos material físico para esculpir, mas vamos dar uma forma tridimensional a um espaço vazio. Por isso somos escultores do espaço, se assim quer. Vamos do abstracto para o concreto.

Quer um exemplo? Você pega no Guggennheim do Frank Gehry, em Bilbau, e diga-me lá se aquele museu é uma escultura ou se é arquitectura? Diria que é arquitectura, porque se trata de um habitat e também porque a arquitectura tem mais duas dimensões que a escultura não tem e são o tempo e o espaço. Mas também não há dúvida que foi a escultura a partir do tal vazio que deu forma e sentido àquela obra ímpar. Arquitectura e escultura andam ali de mãos dadas.

A Arquitectura é algo de muito complexo, porque tem muitas vertentes!

SGG.: Passando agora aos materiais propriamente ditos, diria que se verifica que hoje a Arquitectura está indelevelmente marcada pela cada vez maior presença do vidro. A que se deve esta mudança tão radical?

Arqtº J.G.: Diria eu, porque em primeiro lugar o vidro é a melhor solução para as questões que se prendem com a climatização e a insolação, para já não falar na acústica, segurança e muito mais.

Repare que o vidro evita, logo à partida, custos energéticos de climatização. Os países nórdicos e anglo-saxónicos, que o digam!

SGG.: Em sua opinião, acha que de uma maneira geral os profissionais dominam a tecnologia do vidro?

Arqtº J.G.: Duma maneira geral, sim, porque a evolução e actualização técnica dos profissionais a isso obrigou. No entanto, e inexplicavelmente, as universidades ainda não têm o ensino das tecnologias do vidro, devidamente sistematizado nos seus programas pedagógicos.

O vidro foi, inequivocamente, o material que maior evolução tecnológica tem vindo a evidenciar, no sector da construção. Evoluiu muitíssimo e continua a evoluir. Por isso o domínio das tecnologias do vidro é imprescindível nos dias de hoje.

Mas porque as coisas estão sempre a mudar com muita rapidez e sofisticação, sempre que precisamos de apoio técnico, socorremo-nos da Saint-Gobain Glass, que está sempre disponível.

SGG.: Tendo em conta o seu pragmatismo tão peculiar na praxis da sua actividade e que atrás nos falou, diga-nos, em que medida o vidro facilita o seu trabalho?

Arqtº J.G.: Olhe, o vidro induz à realização arquitectónica o factor qualidade. Estamos a falar de um material que, por força da sua sofisticação tecnológica, obriga a que seja um material que tenha de ser tratado com um léxico próprio... ou seja, o vidro tem uma linguagem que não tem paralelo com qualquer dos outros materiais da construção.

O vidro permite-nos profundidades, integração interior/exterior...

Eu não conheço outro material melhor, em termos de transparência e diálogo com o exterior e com o utente.

O utente interage com o vidro e como tal molda o conforto da habitabilidade do seu habitat, sempre que quer.

Para qualquer informação contacte-nos: mkt.sggp@saint-gobain.com

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